Pacientes com câncer têm maior risco de infecções graves, principalmente durante a quimioterapia. Manter o calendário vacinal atualizado é parte fundamental do cuidado oncológico e ajuda a reduzir complicações, internações e até interrupções do tratamento.

A seguir, entenda quais vacinas são permitidas, quais precisam ser avaliadas com cuidado e quais devem ser evitadas durante a quimioterapia.

   Por que a vacinação é tão importante durante o tratamento do câncer?

Durante a quimioterapia, o sistema imunológico fica temporariamente enfraquecido. Isso aumenta a chance de infecções que, em pacientes oncológicos, podem evoluir de forma mais rápida e grave.
Algumas doenças preveníveis por vacina, como gripe e pneumonia, podem não só causar complicações como também atrasar ciclos de tratamento.

Vacinar é uma forma direta de proteger o paciente quando ele está mais vulnerável.

   Vacinas que podem ser aplicadas com segurança (Vacinas Inativadas)

As vacinas inativadas, ou seja, sem vírus vivo, são seguras para pacientes com câncer e podem ser aplicadas mesmo durante o tratamento, dependendo da indicação.

Aqui estão as principais recomendações:

dT ou dTpa (tétano, difteria e coqueluche)

Pode ser realizada, preferencialmente antes da quimioterapia.

Pneumocócicas (conjugada 13V + polissacarídica 23V)

Devem ser realizadas, de preferência antes da quimioterapia, para proteger contra pneumonia e doenças pneumocócicas graves.

Meningocócicas (MenC, MenACWY, MenB)

Aplicar apenas quando houver indicação específica.

Influenza (gripe)

Recomendada todos os anos, independentemente do tratamento. Verificar a sazonalidade da campanha anual.

HPV

Checar indicação conforme faixa etária e histórico vacinal.
Pode ser aplicada em determinados pacientes.

Hepatite B

Pode ser realizada em pacientes nunca vacinados.

Hepatite A

Pode ser realizada em pacientes nunca vacinados.

COVID-19

Pode ser realizada, preferencialmente antes da quimioterapia.
Segura em pacientes oncológicos.

Zoster inativada recombinante

Pode ser realizada, preferencialmente antes da quimioterapia.
Importante: esta é a versão inativada, diferente da vacina de zoster de vírus vivo.

   Vacinas que precisam aguardar (Vacinas de vírus vivos)

As vacinas de micro-organismos vivos não devem ser aplicadas durante a quimioterapia ou períodos de imunossupressão.
Podem causar infecção grave em pacientes com baixa imunidade.

A recomendação geral é:

Aguardar pelo menos 3 meses após o término da quimioterapia para considerar a aplicação dessas vacinas.

A seguir, a lista completa:

Tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)

Aguardar pelo menos 3 meses após a quimioterapia.

Varicela

Aguardar pelo menos 3 meses após a quimioterapia.

Zoster (vírus atenuado)

Aguardar pelo menos 3 meses após a quimioterapia.

Febre amarela

Deve esperar pelo menos 3 meses após a quimioterapia.
Contraindicada durante o tratamento.

BCG

Contraindicada durante quimioterapia.

   Atenção especial

Vacinas com vírus vivos não devem ser aplicadas durante a quimioterapia.
Sempre informe seu oncologista antes de vacinar, mesmo que seja uma vacina “de rotina”.

 Quando vacinar? O momento ideal

Sempre que possível, as vacinas devem ser aplicadas antes do início da quimioterapia.
Assim, o organismo responde melhor e a proteção é mais eficaz.

Ordem recomendada:

    1. Consulta pré-tratamento.

    1. Revisão do cartão de vacina.

    1. Aplicação das vacinas inativadas recomendadas.

    1. Ajustes durante o tratamento conforme indicação individual.

  Quem deve orientar a vacinação do paciente com câncer?

A decisão deve ser feita em conjunto entre:

• oncologista,
• infectologista (quando necessário),
• equipe de enfermagem,
• médico assistente da atenção primária.

Cada caso é único, especialmente em terapias de maior impacto imunológico, como transplante de medula, imunoterapia ou terapias-alvo.

A vacinação em pacientes com câncer é uma medida simples e poderosa para prevenir infecções, evitar complicações e garantir que o tratamento oncológico siga com segurança.
Atualizar o calendário vacinal é um gesto de cuidado que protege o paciente e fortalece sua jornada de tratamento

Referências:
MOC – Manual de Oncologia Clínica. Hospital Sírio-Libanês, São Paulo.
NCCN Guidelines – Vaccinations and Infectious Diseases in Cancer Patients.
CDC – Recommendations for Immunization of Immunocompromised Persons.

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